"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende"
Leonardo da Vinci

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Cultura geral ou maluquice geral?

A França tem um área de 543.965Km² ocupado por, aproximadamente, 65.500.000 habitantes.

O Brasil, em suas terras que se estendem por 8.514.877 Km² (valor arredondado), é habitado por 190.732.694 pessoas.

A Região Sudeste de nosso país, composta pelos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, ocupa, aproximadamente, 924.511 Km², quase o dobro da França, e sua população é de 80.800.000 habitantes.

Papo de maluco? Não! Por essas bandas de cá o povo adora perguntar a extensão do território do País, do Estado, do Município, o número de habitantes etc etc etc etc.

Hoje chegaram ao cúmulo de me perguntar em que longitude a linha do equador cortava o Brasil!
Das duas, uma: ou eu levo na brincadeira ou vou começar a ter problemas graves de auto-estima... E eu lá sei tudo isso?!

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sábado, 9 de abril de 2011

Brutalidade exacerbada

Segunda-feira, enquanto me dirigia ao estágio, li no jornal uma matéria em que era relatado o estado de saúde de um jovem de 19 anos, em coma há alguns dias, depois de ter sido brutalmente espancado no metrô, diante de sua namorada, que a tudo assistiu sem nada poder fazer.

O motivo? Um "namoro" proibido...

Os agressores do rapaz moram em determinado bairro, onde reside a menina, "pivô" da história. Os habitantes do tal bairro não gostam dos habitantes do bairro onde o rapaz reside e, óbvio (não?!), o namoro não poderia acontecer...Os agressores furtaram o celular de uma amiga da menina e enviaram um torpedo perguntando onde ela estava. Diante da resposta de que a jovem estava no metrô com o namorado, os covardes partiram ao encontro do casal e agrediram, em bando, o rapaz até que bem pouco restasse de vida em seu corpo.

Sinceramente, não dá pra entender...

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Tiros em Realengo

Ontem, um rapaz de 24 anos de idade entrou numa escola pública de Realengo e ceifou a vida de 12 crianças, em sua maioria meninas. Além das vidas que roubou, feriu 18 pessoas e marcou a fogo a memória de incontáveis outras, que sempre se lembrarão do terror a que sobreviveram.

Ontem, um rapaz de 24 anos de idade resolveu que era o momento para passar do anonimato ao "estrelato", gravando seu nome na história de nossa cidade, na memória de um povo, nas páginas policiais.

Ontem, um rapaz de 24 anos de idade achou por bem reproduzir cenas de uma chacina norte-americana, em terras tropicais, espalhando pânico e terror pelo caminho sangrento em que, por fim, deixou tombar seu corpo inerte.

Ontem, um rapaz de 24 anos de idade mostrou sua face triplamente covarde. Covarde por agredir quem não lhe fez mal. Covarde ferir e matar crianças. Covarde por escolher o suicídio à responsabilidade por seus atos atrozes.

Ontem, somente ontem, começou a tragédia de famílias que tiveram roubados seus bens mais preciosos: o convívio com suas crianças, os seus sorrisos, os seus sonhos e as suas esperanças. Começou ontem, mas não tem data para terminar. E talvez não termine jamais, pois sempre restará a lacuna, que de forma tão brutal, lhes foi imposta.

Ontem, somente ontem...

Às famílias das vítimas, meus sinceros sentimentos. Não há palavras nem gestos que possam reparar o imenso dano que vocês sofreram. Ninguém pode compreender a dor de vocês. Podemos até imaginar, mas a dor verdadeira, aquela pungente, só quem a conhece, são vocês, familiares dessas jovens vidas perdidas sem explicação. Às famílias, que vocês encontrem forças para continuar.

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

Falha na comunicação

Voltava do estágio num fim de tarde qualquer quando reparei numa moça, dentro do mesmo trem em que eu estava, olhando com cara de assustada para o mapa de estações a que aquele trem servia e as outras estações atendidas por outros trens.

Fiquei uns bons minutos observando a moça e cheguei à conclusão que ela não estava chegando à qualquer conclusão. Resolvi interceder. Aproximei-me e perguntei se ela precisava de ajuda. Ela não entendeu. De francês ela dó falava "moi". Perguntei qual o idioma que ela falava (idiota, perguntei em francês). Óbvio que ela não soube responder. Passei ao método "tentativa e erro"; comecei a perguntar em inglês, espanhol e português até que conseguimos estabelecer o idioma dela: russo. Com perdão do trocadilho infame, aí a coisa ficou russa...


Como não falávamos a mesma língua, partimos para a linguagem de sinais e ela me disse (eu acho) que já estava fazendo aquele trajeto pela terceira vez e que queria ir para o centro de Paris. Peguei meu mapinha de bolso, mostrei a linha em que estávamos, onde ela deveria descer e qual o trem que ela deveria pegar em seguida para ir para onde ela me mostrou que queria ir.

Voltei ao meu assento e fiquei vendo a moça revirar o mapa que eu havia lhe dado. Sentia-me preocupada com ela, mas não sabia mais como ajudar.

Ao me ver descer, ela me chamou para que eu mostrasse a ela no mapa em que estação estávamos. Mostrei, me despedi e desci, mas carreguei comigo a frustração de não ter podido ajudar mais.

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domingo, 3 de abril de 2011

Paisagem da janela

Meu novo cantinho consegue ser menor que o studio em que eu vivia em Toulouse. E pra chegar a ele, é preciso subir uma quantidade absurda de degraus. Minhas coisas ainda estão bagunçadas. E eu ainda estou buscando me adaptar.


Meus amigos do curso, cada um seguiu seu rumo por causa do estágio; espalharam-se pela França e além. Por enquanto, estou um pouco mais sozinha aqui. Mas me sinto mais plena também. Talvez sejam os ares parisienses, ou talvez seja a vista da minha janela, ou talvez seja algo que, em mim, mudou.


Insistente, a música "Paisagem da janela", de Lô Borges e Fernando Brant, toca na minha "rádio particular" enquanto, inebriada com o canto dos pássaros e o som da cidade que parece não parar jamais, contemplo a mesquita a minha frente, paisagem da minha janela. 



Paisagem da Janela
Composição: Lô Borges e Fernando Brant
Interpretação: Milton Nascimento

"Da janela lateral do quarto de dormir
Vejo uma igreja, um sinal de glória
Vejo um muro branco e um vôo pássaro
Vejo uma grade, um velho sinal

Mensageiro natural de coisas naturais
Quando eu falava dessas cores mórbidas
Quando eu falava desses homens sórdidos
Quando eu falava desse temporal 
Você não escutou

Você não quer acreditar
Mas isso é tão normal
Você não quer acreditar
E eu apenas era

Cavaleiro marginal lavado em ribeirão
Cavaleiro negro que viveu mistérios
Cavaleiro e senhor de casa e árvores
Sem querer descanso nem dominical

Cavaleiro marginal banhado em ribeirão
Conheci as torres e os cemitérios
Conheci os homens e os seus velórios
Quando olhava da janela lateral
Do quarto de dormir
 
Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Você não quer acreditar
Mas isso tão normal
Um cavaleiro marginal
Banhado em ribeirão
Você não quer acreditar"
 
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E a batata virou purê

Desde sexta até hoje, perdi as contas de quantas vezes subi e desci as escadarias que me levam ao meu apartamento.

Eu perdi as contas, mas minhas "batatas das pernas", não. E me mandaram a conta.

Mesmo com relaxante muscular, hoje, ao me levantar, caí sentada. As "batatas das pernas" resolveram transformar-se em "panturrilhas" e a dor dessa "mutação" é enorme. Andar, hoje, só na ponta dos pés...

E tem gente colocando prótese de silicone nas panturrilhas...

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De mala e cuia

Sexta-feira, 1º de abril. O carro alugado na véspera já está lotado com as minhas coisas: livros, apostilas e roupas; há também minhas duas únicas panelas, alguns copos e os mantimentos que estavam no armário e na geladeira. Nada demais, mas que acaba sendo coisa demais.

Despeço-me dos amigos que ainda permanecerão no campus e dos funcionários que vem falar comigo. Passeio um pouco pela faculdade, tomada de neblina e frio. Despeço-me dos caminhos que fiz nos últimos seis meses, caminhos que me levavam à biblioteca, às salas de aula, à cafeteria... O tempo não ajuda, mas tiro algumas fotos para guardar de lembrança.

Volto ao carro. GPS programado; agora é pé na estrada rumo à Paris. Obedeço às instruções daquela voz "robotizada" e Toulouse vai ficando cada vez mais distante em meu retrovisor.

Por 6 horas exatas, dirijo pelas estradas da França, aproveitando o prazer de conduzir. O caminho é longo, atravessa quase toda a extensão da França no eixo norte-sul, mas o tempo parece passar mais rapidamente que de costume e, sem mais porquê, já estou diante do meu prédio em Paris.


Um amigo se dispôs a me ajudar com a mudança. Chego, mas ele ainda não está lá. Por telefone, me diz que se atrasará uns 15 minutos, pois estava preso num engarrafamento causado por um louco que resolveu deitar-se no meio da rua para fazer poses. Rindo diz que são coisas de Paris. O pior é que já começo a saber disso.

Enquanto espero, vou retirando as coisas do carro e as dispondo no hall de entrada do edifício, o que termino de fazer no momento em que meu amigo chega.

Juntos, carregamos minhas coisas até meu novo apartamento, no sexto (e último) andar do edifício, que, como quase todos os edifícios em Paris, não tem elevador.

No fim, suados e cansados, paramos para descansar por alguns minutos, até que meu amigo, inquieto, resolve começar a desembalar as coisas e guardá-las.

Muitas das coisas já estão "arrumadas" quando dá a hora de meu amigo partir. Antes de ir, contudo, ele abre a geladeira para verificar se eu teria o que jantar e vendo que só tinha água, maionese, mostarda e ketchup, ele me "carrega" escada a baixo para que eu vá ao mercado. Diz que se eu não aproveitar para ir agora, vou ficar com preguiça e acabo sem comer direito. O pior é que ele tem razão. Então, obedeço.

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