"Aprender é a única coisa de que a mente nunca se cansa, nunca tem medo e nunca se arrepende"
Leonardo da Vinci

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Um banquete de sorvetes com charme

Um amigo parisiense me levou para conhecer a sorveteria artesanal que, na sua opinião (com a qual passei a comungar), é a melhor daqui de Paris: Raimo Glacier.

Fonte: Raimo Glacier

O lugar é charmosíssimo e bem parisiense: um salão de chá com mesinhas acolhedoras na calçada.

No cardápio, uma infinidade de sorvetes, sabores mil e apresentações das mais diversas.

Escolhemos a degustação, que consiste num belo prato com oito sabores (aqui chamados "perfumes") a escolha do freguês. A degustação é uma excelente pedida para dividir, pois serve duas pessoas sem problemas. Nós pedimos manga, coco, baunilha, café, pistache, rosa, caramelo e chocolate branco e, sem exceção, todos os sabores escolhidos são maravilhosos. O difícil era escolher o melhor!

Fonte: Raimo Glacier


Se você estiver por Paris, vale a pena conferir.

A sorveteria fica bem pertinho da estação do metrô "Daumesnil", na 59-61, Boulevard de Reuilly.

Quer saber mais (ou namorar as fotos das delícias que eles servem lá)? Acesse: Raimo Glacier

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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Leis e mais leis

Estava pesquisando uma lei ordinária no site da Presidência da República quando algo chamou minha atenção: a lei 12.206 de 2010 que instituía o dia 25 de novembro como sendo o "Dia Nacional da Baiana de Acarajé".

No início, ri do ridículo. Nada contra a baiana de acarajé ou a baiana da cocada ou a baiana do doce de cajú, o ridículo é o Poder Legislativo mover a máquina administrativa para realizar um processo legislativo para criar uma lei cujo único objeto é instituir um dia nacional para essa profisisonal.

Depois, movida por uma curiosidade quase mórbida, resolvi percorrer a lista de leis ordinárias dos anos de 2009 e 2010 em busca de outras leis congêneres. E olha o que encontrei:

# 25/jan - Dia Nacional da Bossa Nova (Lei 11.926/2009);
# 28/jan - Dia Nacional do Auditor-Fiscal do Trabalho (Lei 11.905/2009);
# 28/jan - Dia Nacional do Combate ao Trabalho Escravo (Lei 12.064/2009);
# jan (último domingo) - Dia Nacional de Combate e Prevenção à Hanseníase (Lei 12.135/2009);
# 18/mar - Dia Nacional da Imigração Judaica (Lei 12.124/2009); 
# 60 dias após o domingo de Páscoa - Dia Nacional da Marcha para Jesus (Lei 12.025/2009);
# 05/jun - Dia Nacional da Reciclagem (Lei 12.055/2009); 
# 06/jun - Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras (Lei 12.026/2009);
# 29/jun - Dia Nacional do Pescador Amador (Lei 12.068/2009);
# 30/jun - Dia Nacional do Bumba Meu Boi (Lei 12.103/2009);
# 26/jul - Dia Nacional do Arqueólogo (Lei 12.128/2009); 
# julho (terceiro domingo) - Dia Nacional do Vaqueiro Nordestino (Lei 11.928/2009);
# 09/ago - Dia Nacional da Equoterapia (Lei 12.067/2009);
# 19/ago - Dia Nacional da Integração Jurídica Latino-Americana (Lei 12.075/2009);
# 19/ago - Dia Nacional do Historiador (Lei 12.130/2009);
# 25/ago - Dia Nacional da Legalidade (Lei 12.080/2009);
# 28/ago - Dia Nacional do Combate e Prevenção ao Escalpelamento (Lei 12.199/2010);
# 05/set - Dia Nacional da Conscientização e Divulgação da Fibrose Cística (Lei 12.136/2009);
# 16/set - Dia Nacional do Caminhoneiro (Lei 11.927/2009);
# 12/out - Dia Nacional da Leitura (Lei 11.899/2009); 
# 16/out - Dia Nacional da Alimentação (Lei 12.077/2009);
# 19/out - Dia Nacional da Inovação (Lei 12.193/2010);
# 26/out - Dia do Movimento Pestalozziano no Brasil (Lei 12.054/2009);
# 27/out - Dia Nacional da Luta pelos Direitos das Pessoas com Doenças Falciformes (Lei 12.104/2009);
# 29/out - Dia Nacional do Cerimonialista (Lei 12.092/2009);
# 12/nov - Dia Nacional do Inventor (Lei 12.070/2009);
# 23/nov - Dia Nacional do Engenheiro Eletricista (Lei 12.074/2009);
# 25/nov - Dia Nacional da Baiana de Acarajé (Lei 12.206/2010);
# 27/nov - Dia Nacional da Luta contra o Câncer de Mama (Lei 12.116/2009);
# 10/dez - Dia Nacional da Inclusão Social (Lei 12.073/2009);
# 11/dez - Dia Nacional da Câmara Junior (Lei 12.204/2010).

São 31 leis criando "dias nacionais" em 2 anos!

Além disso, encontrei as leis 12.286/2010, 12.095/2009 e 12.081/2009 , que, respectivamente, proclamava Olinda a capital simbólica do Brasil; declarava Sant´Ana do Livramento como cidade símbolo da integração brasileira com os países membros do Mercosul; e conferia ao município de Não-me-Toque o título de Capital Nacional da Agricultira de Precisão.

São, pelo menos 34 (trinta e quatro) leis de utilidade prática contestável e que representam, numa primeira análise, gasto público desnecessário, mas, em última análise, comprovam a necessidade de que nós, cidadãos, comecemos a repensar a maneira de escolherm os membros de nosso Poder Legislativo.

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Enquanto isso no cafofo do Osama

A notícia veio da Casa Branca: "a justiça foi feita".

Osama Bin Laden, o inimigo numero um dos Estados Unidos da América, estava morto. Executado numa ação militar.

Justiça? Não! Execução. E nem me venha com o discurso de massa de que ele foi responsável por milhares de mortes e merecia morrer. Não defendo Bin Laden, mas a ordem jurídica. Ele tinha que ser preso, julgado, condenado, responder pelos crimes praticados e, se aplicável fosse a lei americana, ainda que condenado a morte, a pena seria executada e, só então, a Justiça teria sido feita.

A declaração do presidente americano pegou mal aos olhos do mundo e ele tentou "melhorá-la": Osama se escondia atrás de uma mulher. Assim a execução fica mais justificável. Legítima defesa de terceiros.

Mas a explicação parece não ser suficiente e a
mulher-escudo, como num passe de mágica, se multiplicou, e Osama agora se escondia atrás de mulheres. Quem sabe assim fique melhor, né, Obama?

Ótimo. Mas o fato (?) é que Osama está morto. Você não viu? Não se preocupe! Quando o corpo chegar aos Estados Unidos da América do Norte, terra de CSI, será realizada e documentada uma autópsia para determinar qual o tiro foi responsável pela morte e em que condições foram disparados os tiros...

Ah, não?! Não tem corpo? Não tem perícia? Não?!

Ah! Desculpe! Distração minha. Esqueci que na terra das produções cinematográficas não tem lei... Virou "Piratas do Caribe" e alguém gritou "homem ao mar!"

Fonte: Jornal da Tarde
Opa! É melhor não usar essa palavra, porque "homem" tem direitos e se sujeita às regras de convívio impostas pela ordem social... É melhor não dizer nada. Olha para um lado, olha para o outro e... Pluft! Joga o corpo aos tubarões.

A desculpa é das mais esfarrapadas: é para que o sepulcro não vire local de peregrinação... Ah, tá... O roteiro pode até ser fraco e o enredo questionável, mas a certeza é que Carochinha já era; o bom agora é históra da Casabranquinha...

No fim, o importante, mesmo, é que Obama, com a morte do Osama, fortalece sua imagem política diante de sua sociedade de consumo em que até o pensamento parece ser enlatado e pronto para uso.

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terça-feira, 3 de maio de 2011

O luxo e o lixo

Paris, a cidade luz, onde todas as nacionalidades se confundem e os sotaques se misturam num francês cosmopolita.

Essa cidade que é sinônimo de luxo, moda, glamour e luxúria, mas que, como tudo, tem seu "lado B".

Essa cidade que tem mendigos gentis e empregados grosseiros.

Essa cidade que tem a tranqüilidade do picnic no parque e agito dos metrôs; a pressa de chegar; os horários dos trens decorados e as múltiplas e complexas linhas de metrô; o stress.

O vinho servido com normalidade, sem ostentação. O pão que lhe é servido com a mesma mão que pegou o dinheiro.

A falsa naturalidade com que as pessoas se comportam num trem empesteado pelo odor do cocô humano no chão entre as poltronas.

Os loucos que, diariamente, gritam nos metrôs ou atravessam-se nas avenidas fazendo poses e atrasando quem corre para o trabalho.

Os enormes engarrafamentos e as pessoas que buzinam assim que o sinal abre.

Os motoristas que param para o pedestre, mesmo quando o sinal está aberto.

A enorme quantidade de gente que lê no caminho pro trabalho.

Os milhares de bonjour, bonsoir, bonne journée e bonne soirée distribuídos ao longo de um único dia.

Essa cidade com todas as suas contradições. Essa cidade com todo o lixo do luxo; com toda a falta de luxo do lixo. Essa cidade que a cada dia aprendo a amar um pouco mais.

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domingo, 1 de maio de 2011

Castelos de ilusões



Vejo um castelo de sólidas paredes erguidas com sonhos. Vejo um castelo de firme piso construído com desejos. Vejo um castelo coberto por um enorme telhado de nuvens e ilusões.

Vejo um castelo que não tem sequer a pretensão de ser real; nem mesmo ilusório ele pretende ser; nem castelo; nem casa de sapê. É um castelo para quem consegue ver o que não é e mesmo assim sabê-lo ali.

Castelo. Cas te lo. Cas tê-lo.

Cas tê-lo, em verde planta, em campo, num castelo imaginário, erguido do nada e dissipado no vasto espaço de um segundo, em que palavras tornam-se silêncio e o mundo, triste, fica mudo.

 Castelo de bolhas de sabão sopradas ao vento. Castelo de bolhas de sabão levadas pelo vento.

O terror do ilusório. O choque do real. E o castelo dissolve-se antes de formar-se.

E como dói a morte do que não nasceu. Como é triste a perda do que, sem ter começado, chegou ao fim.
As cartas empilhadas, de súbito, vêm ao chão. É o castelo de cartas construído ao longo dos anos que se desfaz. É o riso da criança, que vê no tombo a possibilidade de recomeço. É a lágrima do velho, que não se sente disposto a recomeçar.

É mais um castelo ilusório que se faz real, mostrando em sua dura face tudo o que não foi; tudo o que poderia ter sido, não fosse a realidade.

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Uma experiência e um dos seus sentidos

Nesta semana que passou, vislumbrei a grande experiência dessa aventura.

Uma amiga deu um mau jeito nas costas e estava sentindo dor. Precisava ir a um médico para que ele lhe prescrevesse um analgésico. A carinha de choro dela estava evidente e, de repente, ela não se conteve e começou a chorar. E início achei que a dor fosse a causa das lágrimas, mas depois ela começou a explicar as lágrimas que rolavam copiosamente de seus olhos.

Ela é do Sul da França e estava chorando por estar sozinha aqui em Paris e não ter quem cuide dela nesse momento de fragilidade; precisa cuidar de si, sozinha, sem ter a quem recorrer.

Peguei-me pensando na minha história, no que um amigo chama de "minha trajetória".

Minha família não está a 6 horas de carro de mim; está a 11 horas de avião e um oceano de distância. Há, ainda, uma distância de fuso horário - 5 horas - que torna as interações "ao vivo" (por webcam) ainda mais raras.

Já senti dor, já precisei de colo, já sofri decepções, já tive medo, já chorei e me vi diante da incontornável realidade de estar só e ter que ser meu próprio porto-seguro, me dar colo, me dar proteção, me dar incentivo, enxugar minhas lágrimas e continuar.

Fonte: Deixa o vento soprar
Não entenda mal, nada disso é ruim. 

Sei que tenho bons e amados amigos no Brasil com quem posso contar sempre que precisar e tenho uma família que me ama e se preocupa comigo. Tenho bons e queridos amigos aqui, também, mas estamos longe por causa do estágio.

Não estou sozinha na vida; só estou temporariamente sozinha aqui. Mas isso também pode ser bom.

É óbvio que ter alguém por perto é muito bom, mas saber que você pode ir além, mesmo sozinho, é uma excelente oportunidade para conhecer sua força interior, sua capacidade e seus limites.

Perceber que você pode estar com alguém, e que isso é uma opção, nunca uma necessidade, dá outra dimensão às relações que você está disposto a viver. 

Em última análise, acaba com a história da "metade da laranja"; você não é uma fruta pela metade procurando se completar; é uma fruta inteira, plena, e se alguma outra fruta quiser, vocês podem se somar, mas nunca se completar.

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Sem descer do salto, mesmo sem salto

Sabe aquelas cenas de filme em que a mocinha está correndo e o salto quebra soltando-se completamente? Eu nunca tinha visto isso sem ser em filme e sempre achei muito forçado... Nunca tinha visto até acontecer comigo.

Correndo pra pegar o trem, com os minutos cronometrados, chego à estação e... puff! O salto do meu sapato quebra e se solta, me deixando com um pé de salto e outo com um salto invisível (porque o sapato continua com o formato de um salto alto...).

Fonte:  Foto search
Ainda me perguntei o que fazer... Continuo, pego o trem e vou pro estágio com um sapato "anti-convencional", ou volto em casa pra trocar o sapato? A dúvida durou alguns segundos, mas a decisão mais sensata era de trocar de sapato.

Voltei pra casa no salto, andando como se nada tivesse acontecido, com um pedaço dos sapatos na mão e o restante nos pés, com a auto-confiança de uma acrobata e "só no carão", rindo horrores da cena.

E pra completar, por causa do atraso causado, perdi o trem "mais confortável" e tive que pegar o trem que me deixa numa estação distante e que me obriga a andar uns 30 minutos em ladeira para chegar ao estágio.

Aquele não devia ser meu dia... Tive que respirar fundo!

Fonte: Crise Anatomy